Quando a Disney adquiriu a 21st Century Fox em 2019, o plano de expandir o Universo Cinematográfico Marvel com personagens como Blade e os X-Men ficou claro. Mas a decisão de tornar o Quarteto Fantástico uma parte importante do MCU levantou sobrancelhas, dado o histórico conturbado da equipe nas telas. Agora, O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos prova que a Marvel pode ter finalmente decifrado o código, entregando um filme visualmente deslumbrante que abraça as raízes coloridas dos quadrinhos dos personagens.
Uma Nova Abordagem para uma Equipe Clássica
As tentativas anteriores da Fox — dos filmes tão ruins que são divertidos de Tim Story ao reboot sem graça de Josh Trank em 2015 — lutaram para capturar o charme da era de prata do Quarteto Fantástico. Primeiros Passos quebra essa sequência ao mergulhar na estética retrofuturista dos anos 1960, onde a equipe é tão famosa quanto os Beatles. O diretor Matt Shakman usa cinejornais estilizados para passar rapidamente pela história de origem, estabelecendo um mundo onde carros voadores, IA e foguetes reutilizáveis são realidades cotidianas graças à superciência de Reed Richards.
O filme acompanha Reed (Pedro Pascal), Sue Storm (Vanessa Kirby), Johnny (Joseph Quinn) e Ben Grimm (Ebon Moss-Bachrach) enquanto navegam pela vida como ícones globais. Seu status vem não apenas de atos heroicos — como Sue protegendo civis ou Johnny apagando incêndios — mas de seu trabalho na Fundação Futuro, uma organização filantrópica que promove educação e inovação.
Espectáculo Visual e Dinâmica Familiar
Comparações com Os Incríveis são inevitáveis, mas Primeiros Passos traça seu próprio caminho. A história gira em torno de como um novo bebê muda a dinâmica da equipe, mas a verdadeira ameaça vem do espaço: Shalla-Bal (Julia Garner), o Surfista Prateado, avisa sobre Galactus (Ralph Ineson), uma entidade cósmica que consome planetas. A sequência de perseguição entre Johnny e o Surfista é um destaque, mesclando 2001: Uma Odisseia no Espaço com Gravidade em uma homenagem visualmente deslumbrante ao cinema de ficção científica.
“Muito do que é diferente na abordagem de Primeiros Passos sobre seus vilões se resume à maneira como Shakman passa tempo retratando-os em ambientes estranhos e fantásticos no espaço.” — Trecho de crítica

Os efeitos visuais são polidos, com a Marvel dando às suas equipes tempo suficiente para ajustar os cenários cósmicos. No entanto, as interações entre os personagens às vezes parecem rígidas, como se o roteiro não estivesse totalmente desenvolvido antes das filmagens. Os protagonistas entregam atuações sólidas, mas sua química é ligeiramente estranha, deixando os momentos dramáticos sem vida.
Um Passo Promissor, mas Prematuro, no MCU
Primeiros Passos chega enquanto a Marvel tenta se recuperar de uma série de filmes com desempenho abaixo do esperado. Embora o filme seja um refrescante trabalho independente, fica claro que a Terra-828 pode em breve ser incorporada ao MCU principal para um evento crossover que pode apagar sua identidade única. O Quarteto Fantástico é adequado para se tornar headliner enquanto o estúdio se volta para o Doutor Destino, mas fica a dúvida se este primeiro passo é um pouco prematuro.
Ainda assim, os visuais deslumbrantes e as atuações sinceras do filme são suficientes para torná-lo uma explosão. Com um elenco de apoio que inclui Matthew Wood, Sarah Niles, Mark Gatiss, Paul Walter Hauser e Natasha Lyonne, O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos chega aos cinemas em 25 de julho. Pode não reinventar a roda, mas prova que a Marvel está se livrando de alguns maus hábitos — e que o Quarteto Fantástico finalmente tem um lar cinematográfico que vale a pena celebrar.









