Uma oradora de formatura universitária recebeu uma reação inesperada ao declarar que a inteligência artificial é a próxima revolução industrial — a multidão vaiou alto. Momentos depois, eles aplaudiram quando ela reconheceu que, há apenas alguns anos, a IA mal era um fator na vida cotidiana.

Gloria Caulfield, vice-presidente de alianças estratégicas da Tavistock, uma empresa de desenvolvimento apoiada por private equity, subiu ao palco da Universidade da Flórida Central. Ela disse aos formandos: "Vamos encarar, a mudança pode ser assustadora. A ascensão da inteligência artificial é a próxima revolução industrial."
A frase foi recebida com um momento de silêncio, depois uma vaia alta da plateia. Caulfield se virou, olhou para outros no palco e perguntou: "O que aconteceu?" — genuinamente surpresa.
Após reconhecer que "tocou numa ferida", ela continuou: "Há apenas alguns anos, a IA não era um fator em nossas vidas." Essa admissão arrancou uma ovação entusiasmada, o que pareceu deixá-la tão perplexa quanto as vaias.
Um Fosso Entre Otimismo Tecnológico e Sentimento Público
O clipe destaca uma desconexão entre entusiastas da tecnologia e o público em geral. Ser pró-IA não é incomum — a OpenAI diz que o ChatGPT tem mais de 900 milhões de usuários ativos semanais, com 50 milhões de assinantes pagantes. Centenas de bilhões de dólares são investidos em empresas de IA como OpenAI, Anthropic e Microsoft.
Até a declaração específica não é única. No final do ano passado, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, argumentou que o Reino Unido deveria aproveitar o boom da IA, dizendo: "Assim como a última revolução industrial, a razão pela qual ela aconteceu foi porque você precisava dela. E então a revolução industrial que começou aqui no Reino Unido surgiu da necessidade. Você precisa dela agora também."
"Há apenas alguns anos, a IA não era um fator em nossas vidas." — Gloria Caulfield, Vice-Presidente de Alianças Estratégicas da Tavistock
Mas Huang tem a ganhar com a adoção mainstream da IA. A Nvidia se tornou a primeira empresa do mundo a valer US$ 5 trilhões graças à tecnologia, e os EUA recentemente aprovaram a venda dos chips de IA H200 da Nvidia para a China — uma medida que pode impulsionar ainda mais a empresa.
Formandos se Preocupam com o Impacto da IA em Empregos e na Sociedade
Para muitos futuros formandos, a IA levanta preocupações sobre impacto ambiental, disrupção econômica e segurança no emprego. A tecnologia ameaça remodelar indústrias justamente quando eles entram no mercado de trabalho. Isso pode explicar por que um discurso elogiando a IA soou fora de tom para uma plateia ansiosa sobre aonde tudo isso vai levar.

À medida que a IA continua a avançar, o fosso entre seus promotores e aqueles que temem suas consequências provavelmente persistirá. As vaias na UCF servem como um lembrete de que nem todos estão prontos para abraçar a próxima revolução industrial.









